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Dar ou não dar dinheiro?

O testemunho desta semana chegou-me por duas vias: através de carta assinada por Cláudia Abrantes, de Coimbra, e através da internet, por alguém que assina só com as iniciais A. F. O espaço do jornal é pequeno e por isso condenso o que escrevem.
Diz A.F.:
«Aos 14 anos de idade, conheci as drogas pela primeira vez. O meu primeiro contacto deu-se através de um colega de escola, que me fez um convite para ir a um baile. Aceitei com o intuito de me divertir.
Mas ao chegar ao baile, ao ver meus colegas a beber e a fumar, no meu coração despertou uma ansiedade, um desejo de experimentar, de ser grande como os outros. Primeiramente experimentei cigarros de haxixe, depois passei a consumir droga e álcool. Tudo isto causou muitos males na minha vida, depressão e sensações de mal-estar, êxtase, ausência do mundo, alucinações, desgaste físico e desmaios. E o pior era quando não tinha dinheiro para comprar a droga. A minha mãe sempre me dava algum. Outras vezes pedia e roubava. Um dia o meu pai pôs-me fora de casa. Passei do pior. Até que tive um filho de uma rapariga de 16 anos, também ela metida na droga. Perguntei-me: “Vou dar esta vida ao meu filho?!”
A minha mãe, que ainda se encontrava comigo de vez em quando, e me dava dinheiro, insistia para eu me tratar. Como conseguia arranjar dinheiro, ia adiando. Só quando vi a minha mãe doente e sem me poder ajudar, é que resolvi dar esse passo. Custou mas foi a melhor decisão da minha vida.
Hoje sou um homem novo.
O meu filho vai entrar para a escola este ano. Nem quero pensar que ele pode passar pelo que eu passei!...
 
Quanto a Cláudia Abrantes, conta-nos a sua experiência com um casal que pedia à porta da Igreja de Santa Cruz de Coimbra. O dinheiro que juntavam era para consumir droga. Chegavam a gastar 150 euros por dia – diz-nos a nossa leitora. As esmolas que recebiam eram para isso. Estranhou ouvir dum padre na Missa que não dessem dinheiro porque estavam a contribuir para a sua destruição. Ficou também surpreendida por um dia lhe dizerem que já viviam num quarto graças à ajuda dumas Irmãs. Foi observando que o seu aspecto era melhor.
Um dia ouviu o padre explicar na Igreja que um cartaz no guarda-vento pedia a ajuda para a reconstrução de uma casa para aquela família que estava a caminho da recuperação. Ficou feliz.
Talvez tenha sido o alerta do padre para não dar dinheiro que obrigou aquele casal a decidir-se pela recuperação, pois o que recebiam não chegava para acalmar o vício. Cláudia Abrantes não o diz. Mas quem sabe!...
M.V.P.

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