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Apóstolo dos leprosos chineses

padre Ruiz SuarezAcabei de saber que faleceu há pouco tempo o Padre Luiz Ruiz Suarez, cujo testemunho de entrega aos leprosos já aqui publiquei.

O padre Ruiz Suárez é pouco conhecido entre nós e mesmo na Espanha, onde nasceu há 98 anos, mas é admirado como um santo em Macau, antiga colónia portuguesa, onde acabou por falecer e também em toda a China.
Nos últimos 70 anos, o padre Luis Ruiz Suárez, da Companhia de Jesus (Jesuítas) trabalhou com os mais pobres da China, sobretudo com os leprosos. Até há quatro anos percorria as ruas de Macau de moto e aos 95 anos ainda dirigia 145 leprosarias, que atendem 10 000 doentes, e um centro para doentes com sida. O seu lema era: «Não há maior alegria do que fazer as pessoas felizes».
Em 1986, o padre Luis Ruiz Suárez, apesar dos 73 anos, visitava, com a ajuda de uma moto, as missões dispersas, pois era presidente da Cáritas de Macau. Um dia, o padre Lino Wong, seu amigo, contou-lhe que havia uma leprosaria em condições miseráveis na província de Guangdong, no Sudeste da China. Ali, numa ilha, as autoridades tinham depositado todos os leprosos. Então, uma noite, ele e o padre Lino foram lá numa lancha de pesca. Pareciam contrabandistas.
O padre Luis levou cigarros para dar aos leprosos. Quando chegou, deparou com um cenário aterrador, que nunca mais esqueceu: aquela gente vivia num lugar sujo e asqueroso. Centenas de pessoas agonizavam abandonadas, sem comida, sem roupas, sem qualquer tipo de ajudas. Um leproso aproximou-se dele e o padre Luiz estendeu-lhe a mão, para o cumprimentar. Reparou, nesse instante, que faltava ao homem uma parte do braço. A falta de algum membro ou de uma parte do corpo era comum a todos os habitantes da ilha. Então, ele acendeu os cigarros e colocou-os na boca ou nos cotos dos leprosos.
A ilha de Tai Kan (Cantão) foi, a partir de então, a sua missão. Em Macau tinha 25 freiras a trabalhar com ele. Pediu-lhes ajuda. Cinco foram com ele: uma espanhola, de Sevilha, e quatro indianas. Com o tempo, ergueram 40 leprosarias naquele território.
E como gostaram do seu trabalho, as autoridades chinesas pediram-lhe que fundasse leprosarias noutras províncias e até que cuidasse dos doentes com Sida. E acabou por deixar a direcção da Cáritas de Macau, para se dedicar completamente aos leprosos. As despesas eram enormes mas o dinheiro parece que vinha do Céu e nunca lhe faltou. Recebia cerca de cem mil euros por mês em donativos um pouco de todo o lado.
Que belo exemplo de amor nos deixa este Homem de Deus!

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