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Ao calor da fogueira (27 de Novembro de 2011)
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- Categoria de topo: O Amigo do Povo
- Categoria: Ao Calor da Fogueira
- Publicado em quinta, 24 novembro 2011 11:33
- Escrito por Tio Ambrósio e Carlos do cabeço
– Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
– Para sempre seja louvado e sua Mãe, Maria Santíssima! Obrigado, Carlos, pela tua visita e por esta saudação que muitos dos nossos cristãos vão esquecendo…
– Como vão esquecendo muitas outras coisas importantes, Tio Ambrósio! Antigamente nós sabíamos a doutrina toda de cor.
Podíamos não entender muito bem as coisas, mas não nos escapavam os princípios fundamentais da fé e da piedade cristãs. Alguns queixavam-se que dizíamos sem entender. Mas agora, nem dizem nem entendem!
– Para se entender bem uma coisa é preciso amá-la primeiro, Carlos! Foi Santo Agostinho que escreveu o seguinte: “ama para acreditares; e acredita para amares”. Ele referia isto a Deus, que só somos capazes de conhecê-Lo através do Amor, que é o primeiro de todos os mandamentos. Quanto mais amares a Deus, melhor o conheces; e quanto melhor o conheceres, mais se te abre o coração ao amor por Ele.
– É bem linda essa frase de Santo Agostinho. Mas o Tio Ambrósio não se deve esquecer que o assunto que entre nós ficou pendente foi o das mulheres virtuosas e santas que se distinguiram, em diversos campos, ao longo da História da Igreja. No último dia, vossemecê referiu-se, se a memória me não atraiçoa, às mártires Blandina, Perpétua, Felicidade…
– E tantas outras, Carlos! E já que estávamos a falar de Santo Agostinho, não podemos deixar de citar o exemplo de sua mãe, de nome Mónica, que era uma cristã de corpo inteiro. Natural do norte de África, de uma pequena povoação chamada Tagaste, era filha já de gente crente, mas casou com um pagão que acabaria por converter ao cristianismo. Dos três filhos, dois rapazes e uma menina, o mais célebre e o que lhe deu maiores dores de cabeça foi precisamente Agostinho, nascido no ano de 354. Andando por desvairados caminhos e seguindo correntes de pensamento que o afastavam da fé cristã, a mãe Mónica verteu por ele muitas lágrimas, como o próprio santo, depois da sua conversão, nos conta no seu livro intitulado “Confissões”.
É este, aliás, um livro cuja leitura eu recomendo a todos os cristãos e àqueles que andam à procura de um sentido para a sua vida. Não é de leitura fácil. Mas quem o conseguir ler vai entender como é o Amor de Deus que transforma o coração do homem.
– Foram as lágrimas de Mónica que converteram Agostinho, Tio Ambrósio?
– Certamente ajudaram, Carlos!
Sobretudo quando ficou viúva, Mónica deslocou-se de sua terra para Milão, onde o filho era professor oficial de letras, pedindo-lhe, insistentemente, que abrisse o seu espírito ao dom de Deus. Ora, por esses anos, entre 384 e 387, era bispo de Milão um grande doutor da Igreja, que eu muito prezo, por ter o meu nome. Santo Ambrósio de Milão, que foi bispo à força (mas isso é uma outra história que eu te posso contar um dia, se tivermos oportunidade) dava então lições de catequese, na sua catedral, para os adultos que pretendiam preparar-se para o baptismo. Agostinho, insatisfeito com as correntes de pensamento filosófico por que tinha passado, nomeadamente pelo maniqueísmo, resolveu dar ouvidos à mãe e, aos trinta anos, inscreveu-se como aluno nas catequeses do bispo Ambrósio. E de tal modo se interessou pelo estudo dos princípios cristãos que, em 387, na vigília pascal, que esse ano caiu a 25 de Abril, recebeu a graça do baptismo, juntamente com seu filho Adeodato, das mãos do santo bispo de Milão. E, segundo ele escreve, no tal livro “As Confissões”, a partir desse dia desceu sobre ele a tranquilidade e a paz.
– A mãe deve ter ficado agradecida e feliz…
– Se ficou, Carlos! O próprio Agostinho resolveu deixar o ensino e voltar para a sua terra, no norte de África, para ali se dedicar à vida monástica, pretendendo fundar uma comunidade de monges. Saíram-lhe as contas erradas, porque Deus escreve direito por linhas tortas. Mas essa também é outra história. Descendo de Milão, Agostinho, a mãe Mónica, e outros acompanhantes, detiveram-se alguns dias em Roma e quando se preparavam para embarcar no porto de Óstia (que é o mais próximo de Roma) Mónica adoeceu gravemente, vindo a falecer no final do verão desse ano de 397. “Aos 56 anos de idade e 33 da minha”, escreve Santo Agostinho no livro que te tenho vindo a citar. E acrescenta este grande doutor da Igreja: “Quando lhe fechava os olhos, o meu coração foi invadido por uma imensa tristeza, que se transformava em lágrimas”. E acrescenta, dirigindo-se a Deus: “E agora, Senhor, eu vo-lo confesso neste escrito, leia-o quem quiser, e interprete-o como quiser. E se achar ser um erro chorar eu alguns momentos por minha mãe, que por tantos anos me chorou diante dos vossos olhos, não se ria; antes, se tiver caridade, chore também ele pelos meus pecados diante de Vós”.
– Os grandes santos nascem no coração das mães …
– Foi esse o caso de Agostinho, meu caro Carlos! Santa Mónica passou à história como uma educadora interessada não apenas pela instrução dos seus filhos, mas também pela sua educação moral e cristã. Ela é exemplo para as mães de todos os tempos, nomeadamente para as mães de agora. Mas não penses que foi esta a única mulher que, nos primeiros séculos, se dedicou por inteiro à educação moral e cristã dos seus filhos. Se tivermos tempo e oportunidade, eu hei-de contar-te outras histórias que
retratam bem o papel das mulheres como educadoras nos primeiros tempos da Igreja.
retratam bem o papel das mulheres como educadoras nos primeiros tempos da Igreja.
– Eu fico à espera, Tio Ambrósio!











