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Buarcos: Carnaval com critica à política local e nacional e com rei Futre preocupado com desemprego

Carnaval_BuarcosMilhares de foliões encheram no passado domingo, a avenida do Brasil, na Figueira da Foz, no corso do Carnaval de Buarcos, onde sobressaiu a crise como mote de piadas e disfarces, mas também a critica à política local.
Minutos antes de subir para o carro real, acompanhado por Margarida São Pedro, figura local ligada ao Carnaval há 30 anos, o antigo futebolista Paulo Futre prometia “muita animação”, mas não deixou de comentar a actualidade, nomeadamente os números do desemprego.
Questionado sobre o que faria se fosse rei – ou imperador, fantasia que envergava num carro com motivos chineses – por um dia, Futre decretava a “descida de taxas” e impostos para as pequenas e médias empresas “para que pudessem contratar mais” pessoas.
“O número de desempregados é uma loucura, é o grande problema que existe hoje”, disse o ex-futebolista.
A crise e a intervenção da ‘troika’ serviu de inspiração à junta de Buarcos para criticar a reforma administrativa do país, num carro alegórico “transformado” em cemitério – com um caixão verdadeiro e um ‘morto’ de carne e osso – alertando para a “morte anunciada” das freguesias.
“Não é comum fazer-se uma alusão à morte desta maneira [no Carnaval], é uma mensagem acutilante para alertar a opinião pública. Mas temos de ver isto no contexto actual, se há freguesia que será injustiçada será Buarcos”, disse à agência Lusa o autarca José Esteves.
Cavaco Silva, transformado em pastor, com vários animais simbolizando os seus rendimentos, desfilou no carro alegórico “Coitadinho do Aníbal”, que incluía ainda um grupo de presidiários “da troika”, que eram afinal os ministros do actual governo.
Já uma associação jovem da Figueira da Foz levou ao corso de Buarcos o desaparecido coreto do jardim municipal – cuja promessa de recolocação, feita em campanha eleitoral pelo actual presidente da Câmara, continua por cumprir.
Outro grupo, o Futuro da Praia, juntou camelos às críticas feitas ao extenso areal da Figueira da Foz, mas também à crise e à ajuda externa ao país com a ‘troika’ representada num carrinho por um bebé “piegas”.
Isabel Cardoso, vereadora e administradora da empresa municipal Figueira Grande Turismo (FGT), destacou a “enorme” afluência de público.
“Está imensa gente a ver o cortejo, era o nosso objectivo e foi conseguido”, disse.
Na terça-feira, o Carnaval de Buarcos não teve a presença do rei Paulo Futre, por compromissos anteriormente assumidos e teve entrada gratuita.

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