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Quaresma: (re)encontrar as razões da vida
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- Categoria de topo: Correio de Coimbra
- Categoria: Opinião
- Publicado em terça, 21 fevereiro 2012 14:35
- Escrito por Aldo Aveiro

. Aldo Aveiro
Quando este apontamento chegar às mãos do leitor, já estamos a viver e a celebrar o “tempo quaresmal”. É, por isso, que me proponho elencar algumas notas sobre “este tempo de renovação interior, no intuito de promover uma reflexão para encontrar ou reencontrar as razões da vida”.
Vivemos momentos muito difíceis. Não só pela crise económica mundial que está a causar sérios danos materiais aos mais vulneráveis e a debilitar os valores da plena cidadania, mas por uma outra crise muito mais profunda: a de que muitas pessoas “estarem a perder o sentido das suas vidas”. É um vazio total de ideias, de acções e de atitudes necessárias implementar para contribuir para uma vida digna, justa e solidária, à luz dos valores cristãos.
Não fomos criados para vivermos quotidianamente “de máscara” como no carnaval. Na Quaresma, devem cair todas as máscaras que colocamos para esconder as nossas incertezas, marginalizações, tristezas, medos, dificuldades, más inclinações, pecados. A Quaresma, como ocasião providencial de conversão e de respeito pelo semelhante, ajuda-nos a contemplar o supremo mistério de amor. Ela constitui um retorno às raízes da fé e da esperança, porque nos propõe meditar sobre o dom incomensurável de graça, que é a Redenção, porque tudo nos foi dado por iniciativa amorosa de Deus que nos ensina: “amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”. Quaresma é tempo de seriedade, de esperança, de coerência, de reflexão, de conversão, de partilha. Momento proveitoso para o encontro ou reencontro das razões da vida.
Vivemos uma mudança de época e de mentalidades, em que os valores sociais da Igreja estão a ser substituídos pelo ter, pelo ser e pelo poder. Hoje, como ontem, a sociedade é convidada a tomar consciência da necessidade de assumir uma responsabilidade coletciva perante os males que afligem a humanidade. Sim, em todos os lugares e a todos os momentos encontramos Cristo necessitado nas pessoas que nos rodeiam, e este encontro não pode, de modo algum, deixar-nos indiferentes. Neste sentido, a Igreja, nesta Quaresma, tempo de reflexão, de renovação interior e de solidariedade, deve procurar mobilizar as atenções dos fiéis contra todas as formas de esbanjamento, e estimulá-los a darem as mãos ao próximo, e, num esforço conjugado, promover a partilha solidária com os seus irmãos que, por diferentes vicissitudes, atravessam o “deserto” das suas vidas. A restauração de todas as coisas, em Nosso Senhor Jesus Cristo, tem uma relação muito íntima com o espírito da Quaresma. O próprio Cristo, um dia, nos fará ver a importância da ajuda que prestarmos aos nossos irmãos: “tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber, estava nu e me vestistes” (cfr. Mt 25, 35-36). É Jesus que nos ensina a olhar o nosso irmão como verdadeiro irmão, nos convida a partilhar, a ser solidários.
Sei que neste mundo plural em que vivemos nem sempre é fácil vivenciar este tempo – ao nosso redor continua o egocentrismo, com as festas e apresentações, brigas e desamor – mas cabe a cada católico “colocar-se a caminho” nestes quarenta dias “de deserto” e aprofundar a sua vida de conversão através de uma contrição sincera e dando passos concretos na mudança de vida, correspondendo ao dom e à graça que o Senhor nos concede, e assumir atitudes de um verdadeiro cristão.
Nesta caminhada de reflexão e conversão, que ora iniciamos, confiemo-nos a Maria, nossa mãe, que “gerou o Verbo de Deus na Fé e na carne” para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.
Boa e santa Quaresma para todos! Que o Cristo ilumine o nosso itinerário quaresmal, e nos ajude a (re)encontrar as razões da vida!
Sei que neste mundo plural em que vivemos nem sempre é fácil vivenciar este tempo – ao nosso redor continua o egocentrismo, com as festas e apresentações, brigas e desamor – mas cabe a cada católico “colocar-se a caminho” nestes quarenta dias “de deserto” e aprofundar a sua vida de conversão através de uma contrição sincera e dando passos concretos na mudança de vida, correspondendo ao dom e à graça que o Senhor nos concede, e assumir atitudes de um verdadeiro cristão.
Nesta caminhada de reflexão e conversão, que ora iniciamos, confiemo-nos a Maria, nossa mãe, que “gerou o Verbo de Deus na Fé e na carne” para nos imergir como ela na morte e ressurreição do seu Filho Jesus e ter a vida eterna.
Boa e santa Quaresma para todos! Que o Cristo ilumine o nosso itinerário quaresmal, e nos ajude a (re)encontrar as razões da vida!











