Aviso

Evocar a santidade e a Cultura

Mario Nunes





. Mário Nunes

Iniciou-se no passado dia 9, no Pavilhão Centro de Portugal, a evocação dos 850 anos da morte de São Teotónio, o primeiro santo português e padroeiro de Coimbra.
O vasto salão do pavilhão, apesar do intenso frio que se fazia sentir, encheu, havendo algumas dezenas de pessoas em pé. Um serão musical de elevado nível cultural que preencheu um tempo de enriquecimento espiritual em que a Orquestra Clássica do Centro ofereceu aos presentes um concerto de inegável qualidade e consentâneo com o prestígio, cultura e santidade do homenageado.
A assistência beneficiou do saber e classe profissional do maestro Artur Pinho Maria e dos executantes, que mostraram que a Orquestra é um baluarte importante da cultura e da música de Coimbra, da região e do país, com as virtualidades condizentes para enaltecer a grandeza de São Teotónio e para assistir aos propósitos dos organizadores da manifestação. Acresceu ao enunciado o brilhantismo dos alunos do Conservatório de Música São Teotónio, Carlos Saraiva, em flauta transversal, João Canavarro e Bernardo Santos, piano, que integraram a Orquestra e valorizaram, assim o espectáculo. Neste entendimento, se compreende que o programa executado proporcionou uma noite maravilhosa já que aos compositores clássicos, Bach, Pergolesi e Beethoven, se juntou o contemporâneo Hellbach. Uma comunhão perfeita, porquanto abraçou o ontem, o eterno, e o hoje, em viagem temporal para o amanhã.
A Abertura nº.2 em Si m pela Orquestra, o concerto em Sol M para flauta e orquestra e o Pop-Concerto, com piano e orquestra preencheram a 1ª. parte e elevaram sobremaneira o esplendor musical pelo ritmo, sonoridade e beleza artística que sublimaram o coração e a alma dos assistentes. Maravilhosa a interiorização e a vibração proporcionadas pelos acordes, harmonia e encanto que se soltaram dos instrumentos sabiamente tocados pelos virtuosos executantes. Até a “cor” dos sons que inundou o ambiente e se espalhou pelos ouvintes, ofereceu o agradecimento colectivo pela generosidade musical que transmitia alegria e bem-estar.
A segunda parte, com o concerto nº.2 para piano e orquestra em estreia internacional e a Sinfonia nº.1 em Dó M, com quatro andamentos: Adagio molto/Allegro com brio; Andante Cantabile com moto; Menuetto/Allegro molto e vivace; Adagio/Allegro molto vivace, transportaram os assistentes da doçura e enlevo do ritmo refrescante para o movimento cadenciado, frenético, vibrante e aprisionador, que exaltou a música, brindou os compositores e virtualizou a mestria de Artur Pinho e dos seu músicos. Os “bravos” que romperam o silêncio e as palmas, de pé, que afagaram os intérpretes, testemunharam o reconhecimento do público que beneficiou de momentos inesquecíveis que especialmente a música debita. São Teotónio lá no trono celestial deve ter ficado deslumbrado pelo concerto e satisfeito por os homens do século XXI não o terem esquecido passados oito séculos e meio depois da sua morte. Parabéns à Comissão organizadora.

Informação adicional