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Impressões de Roma (1)
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- Categoria de topo: Correio de Coimbra
- Categoria: Opinião
- Publicado em quinta, 02 fevereiro 2012 12:03
- Escrito por João Caetano

. João Relvão Caetano
Na semana passada participei, com o P. Jorge da Silva Santos, da nossa diocese, no Sexto Simpósio internacional subordinado ao tema “Caridade, Justiça e Paz: um Desafio para a Evangelização”, que decorreu em Roma, numa organização conjunta da Comunidade Emanuel, Fidesco e Instituto Universitário Pierre Goursat, em colaboração com o Instituto Pontifício Redemptor Hominis e a Linha de Investigação em Doutrina Social da Igreja sobre a Encíclica “Caritas in Veritate” (do Papa Bento XVI) da Universidade Pontifícia Lateranense, de Roma.
O Simpósio foi extremamente relevante, por várias razões, de que destaco as seguintes: presença de pessoas de várias gerações (mas predominantemente jovens) e países; estudo dos temas ao mais alto nível científico; predominância de leigos, mas com uma presença significativa da hierarquia (também com pessoas provindas de vários países); inclusão de momentos específicos de oração perfeitamente integrados nos trabalhos; franco espírito de discussão; excelente relacionamento entre as pessoas, de várias origens e proveniências eclesiais.
Só por si estas razões justificariam alguma surpresa, quando estamos habituados a assistir diariamente ao contrário. Mais: este cenário de grande dinamismo impressionou-me pela qualidade do trabalho desenvolvido, não por mascarar a realidade. Estou a lembrar-me, por exemplo, das intervenções do leigo escocês responsável pela ligação, em representação da Conferência Episcopal da Escócia, com os partidos políticos escoceses, que nos relatou as imensas dificuldades que enfrenta, não só por a comunidade católica na Escócia constituir uma minoria (16 por cento do total da população), mas também porque os ventos não sopram de feição. Como ainda assim reconheceu o bispo de Marajó, do Brasil, no comentário que fez à intervenção do referido leigo escocês, também na Escócia há razões para esperança, e a prova está em que, apesar das muitas dificuldades sentidas, a voz dos bispos escoceses faz-se ouvir e é respeitada.
Procurarei, em próximos artigos, apresentar e desenvolver algumas das mais importantes ideias que foram apresentadas no Simpósio, centrando-me hoje apenas na ideia central do Simpósio, qual seja a de que é necessário proceder a uma nova evangelização na Europa e no mundo ocidental em geral, que não se confunde com os trabalhos da missiologia levados a cabo junto das pessoas que nunca ouviram falar de Cristo, mas que também não se fará nos moldes a que estamos habituados. Os nossos tempos são de rutura com o passado distante e recente, o que exige novas práticas e agentes pastorais. Continuamos a fazer muitas coisas como antigamente, sendo que, nesse antigamente, incluo a minha infância, eu que não sou um velho, pois tenho 41 anos. Lembro-me que quando os Papas Paulo VI e João Paulo I morreram, em 1978, a RTP (o 25 de abril já tinha ocorrido há quatro anos e as primeiras telenovelas já tinham gerado controvérsia e começado a mudar as mentalidades e os costumes) fez luto, o que hoje seria impensável. Ora a própria ideia de nova evangelização é mal compreendida e mal-amada por muitos católicos, embora eu não tenha dúvidas de que ela é necessária. O facto de se fazer um programa científico exigente e integrá-lo com momentos explícitos de oração comunitária é não só inovador mas também interpelador. Quem somos nós? Como nos comportamos? O que fazemos? São algumas questões a que temos de procurar responder, com um espírito novo, sem medo de errar. Cometeremos erros, por certo, e não faremos tudo bem à primeira; porventura temos dúvidas ou até, se calhar, medo de falhar ou medo do que é novo. Concedo até que a repetição é uma forma de inovação. Mas estou convicto de que é preciso inovar, mesmo se a inovação, como creio, opera apenas à superfície da realidade. Precisamos de mudar, desde logo, na linguagem, não para deixarmos de ser corretos ou simpáticos com os outros, mas para nos aproximarmos dos outros, sem que eles se sintam ameaçados. No Simpósio esteve um conhecido arcebispo de quem ouvira dizer que é um homem duro. Curiosamente, vi-o muito próximo das pessoas, algumas das quais nomeou, como foi o caso de um jovem e talentoso universitário e desportista peruano que, além de se interessar pela doutrina social da Igreja (coisa tão estranha por vezes) e por ajudar a construir uma “verdadeira” universidade católica no seu país, teve o privilégio de estar próximo do Papa ultimamente.
Nos meus próximos artigos falarei das principais ideias e testemunhos que tocaram profundamente a vasta audiência que encheu o “parlamento” dos Padres Dehonianos, no seu Centro de Congressos em Roma.
Só por si estas razões justificariam alguma surpresa, quando estamos habituados a assistir diariamente ao contrário. Mais: este cenário de grande dinamismo impressionou-me pela qualidade do trabalho desenvolvido, não por mascarar a realidade. Estou a lembrar-me, por exemplo, das intervenções do leigo escocês responsável pela ligação, em representação da Conferência Episcopal da Escócia, com os partidos políticos escoceses, que nos relatou as imensas dificuldades que enfrenta, não só por a comunidade católica na Escócia constituir uma minoria (16 por cento do total da população), mas também porque os ventos não sopram de feição. Como ainda assim reconheceu o bispo de Marajó, do Brasil, no comentário que fez à intervenção do referido leigo escocês, também na Escócia há razões para esperança, e a prova está em que, apesar das muitas dificuldades sentidas, a voz dos bispos escoceses faz-se ouvir e é respeitada.
Procurarei, em próximos artigos, apresentar e desenvolver algumas das mais importantes ideias que foram apresentadas no Simpósio, centrando-me hoje apenas na ideia central do Simpósio, qual seja a de que é necessário proceder a uma nova evangelização na Europa e no mundo ocidental em geral, que não se confunde com os trabalhos da missiologia levados a cabo junto das pessoas que nunca ouviram falar de Cristo, mas que também não se fará nos moldes a que estamos habituados. Os nossos tempos são de rutura com o passado distante e recente, o que exige novas práticas e agentes pastorais. Continuamos a fazer muitas coisas como antigamente, sendo que, nesse antigamente, incluo a minha infância, eu que não sou um velho, pois tenho 41 anos. Lembro-me que quando os Papas Paulo VI e João Paulo I morreram, em 1978, a RTP (o 25 de abril já tinha ocorrido há quatro anos e as primeiras telenovelas já tinham gerado controvérsia e começado a mudar as mentalidades e os costumes) fez luto, o que hoje seria impensável. Ora a própria ideia de nova evangelização é mal compreendida e mal-amada por muitos católicos, embora eu não tenha dúvidas de que ela é necessária. O facto de se fazer um programa científico exigente e integrá-lo com momentos explícitos de oração comunitária é não só inovador mas também interpelador. Quem somos nós? Como nos comportamos? O que fazemos? São algumas questões a que temos de procurar responder, com um espírito novo, sem medo de errar. Cometeremos erros, por certo, e não faremos tudo bem à primeira; porventura temos dúvidas ou até, se calhar, medo de falhar ou medo do que é novo. Concedo até que a repetição é uma forma de inovação. Mas estou convicto de que é preciso inovar, mesmo se a inovação, como creio, opera apenas à superfície da realidade. Precisamos de mudar, desde logo, na linguagem, não para deixarmos de ser corretos ou simpáticos com os outros, mas para nos aproximarmos dos outros, sem que eles se sintam ameaçados. No Simpósio esteve um conhecido arcebispo de quem ouvira dizer que é um homem duro. Curiosamente, vi-o muito próximo das pessoas, algumas das quais nomeou, como foi o caso de um jovem e talentoso universitário e desportista peruano que, além de se interessar pela doutrina social da Igreja (coisa tão estranha por vezes) e por ajudar a construir uma “verdadeira” universidade católica no seu país, teve o privilégio de estar próximo do Papa ultimamente.
Nos meus próximos artigos falarei das principais ideias e testemunhos que tocaram profundamente a vasta audiência que encheu o “parlamento” dos Padres Dehonianos, no seu Centro de Congressos em Roma.











