Aviso

Mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações Sociais

Bento XVI 13Silêncio e palavra: caminho de evangelização

A 24 de Janeiro, memória de S. Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, foi publicada a mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Ela faz um particular apelo à relação silêncio e palavra, no «ecossistema» da comunicação.
Trata-se, como refere Bento XVI, de “dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e equilibrar entre si”. No processo comunicacional pode haver palavras a mais, bombardeio de muitos ruídos, bloqueios de excessos verbais, que impedem a partilha, o diálogo, a edificação mútua. O equilíbrio entre palavra e silêncio é fundamental, para a conveniente relação e permuta, perguntas e respostas, numa verdadeira união entre pessoas. Se o silêncio nos dispõe a escutar, como indispensável ao acolhimento, também a palavra nos impulsiona a falar, quando necessário, no dinamismo construtor da relação interpessoal. Particularmente, o anúncio da Boa Nova não cumpriria o desígnio libertador, se não fosse precedido da capacidade de escuta, de silêncio e de acolhimento. Seriam palavras a mais, opressivas e esmagadoras. Para que se evangelize, é preciso fazer silêncio, e acolher, antes de falar. “Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil e acessório”, refere a mensagem.
Porque há muitas respostas a perguntas que não fizemos, e não necessitamos, podem tornar-se um contra-senso inoportuno. O silêncio proporciona o discernimento para identificar o que é importante, e necessário, formalizar, na prossecução do itinerário, para a descoberta do sentido da vida, das verdadeiras motivações para a procura das últimas questões, da nossa identidade, do nosso horizonte e profundidade. “No fundo, este influxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas e grandes, que dêem sentido e esperança à existência”, diz Bento XVI. Todos nos damos conta que há sons em demasia, ruídos muito intensos, palavras que se atropelam, gritos e agitação duma sociedade em convulsão, que impedem o encontro da pessoa consigo mesma, com os outros e com Deus, não favorecem o diálogo, e a procura das melhores vias de descoberta e aprofundamento da vida. Por isso, prossegue a reflexão pontifícia, “devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus”.
Para Deus poder falar, é preciso o silêncio. E este é um problema da actual sociedade, demasiado barulhenta, intranquila, sem paragens e espaços propícios ao encontro e diálogo. A chamada de atenção, à relação do silêncio com a palavra, em ordem à evangelização, faz todo o sentido. Bento XVI lembra-o logo no início da sua mensagem. Só assim se pode corresponder à “urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos» (1 Jo 1, 3), como nos pede o Papa. Por isso, acolhemos a sua sugestão aos agentes de evangelização: “silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo”.

                                    
Armando Duarte

Informação adicional