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No Pontifical, com Santa Cruz repleta de fiéis

Missa Pontifical_D. Virgilio3D. Virgílio Antunes afirmou que S. Teotónio deixou marcas nas pessoas e instituições
 
“Assinalar os 850 anos da morte de São Teotónio constitui um acontecimento relevante para a cidade e para a Diocese de Coimbra”, destacou o Bispo de Coimbra na celebração eucarística que assinalou o enceramento das comemorações dos 850 anos da morte de S. Teotónio.

“O que agora somos é, em grande parte, fruto do húmus fértil em que germinaram dinamismos, ideias e valores no passado. Se muito é o resultado de conjunturas, confluir de circunstâncias, muito mais se forjou na vontade firme e fiel de pessoas com nome, ancoradas na determinação férrea de edificar algo de sólido, bom e belo, que perdura apesar da voragem do tempo”, realçou D. Virgílio Antunes na celebração da solenidade de São Teotónio, realizada na igreja de Santa Cruz, no passado domingo, a propósito das comemorações dos 850 anos da morte de S. Teotónio.
Missa Pontifical_D. VirgilioLadeado pelo bispo emérito de Coimbra, D. Albino Cleto e pelo Bispo de Viseu D. Ilídio Leandro e por uma dezena de sacerdotes, D. Virgílio Antunes reconheceu que “S. Teotónio é um conjunto de opções pessoais, sérias e decididas, das que tomam toda a pessoa e comprometem a pessoa toda”. “Ele é exímio representante dos maiores, daqueles que investem tudo na tarefa de se construírem enquanto pessoas abertas a Deus pela fé, abertas à vida com esperança e abertas aos outros na caridade”, realçou o prelado perante inúmeros fiéis, entre os quais, muitas entidades civis e militares.
Ao fazer referência à biografia do primeiro prior de Santa Cruz, escrito por um autor desconhecido, e seu discípulo, o prelado concluiu que “São Teotónio foi alguém cuja vida deixou marcas bem vincadas nas pessoas e instituições do seu tempo, tornou-se notório, de uma forma muito diferente de todos os outros sobre os quais se podia igualmente ter escrito”.
“Escasseavam na altura, e escasseiam talvez mais ainda hoje, figuras de grande envergadura moral, autênticos mentores da humanidade, quer se apresentem impregnados pela fé cristã, quer sejam homens de boa vontade”, realça ainda o Bispo de Coimbra.
D. Virgílio Antunes caracteriza, em primeiro lugar, o primeiro santo português, como um grande servo, humilde e fiel a Deus: “entendeu bem São Teotónio as palavras de Jesus referidas no Evangelho de Mateus: «aquele que for o maior entre vós será o vosso servo». Encarou a totalidade da sua vida como lugar de serviço a Deus e aos homens e ficou, por isso, inscrito entre os maiores entre nós”. Noutro ponto, o prelado descreve-o como um grande homem de sabedoria e de fé: “Homem ávido do conhecimento que o levou ao estudo e às viagens à Terra Santa, bem situado no melhor meio cultural da época, aberto às possibilidades da razão, foi ao mesmo tempo apaixonado pela fé que o levou à entrega de si mesmo no serviço de Deus”.
Para o prelado, São Teotónio e o Mosteiro de Santa Cruz simbolizam a “possibilidade de conciliar fé e razão”. “Simbolizam para a Igreja o dinamismo da fé íntegra, reflectida, aprofundada, que se faz testemunho de humildade e de serviço”.
Para concluir, reconheceu que “a Igreja de Coimbra, herdeira de tão grande património humano, cultural e espiritual, há-de voltar-se para as suas raízes. Ancorada no Evangelho da Cruz e da Ressurreição, e contando com tão elevados testemunhos. Precisa de ganhar novo fôlego, munir-se de humildade entusiasmo, sólidos fundamentos doutrinais, e grande paixão por Cristo, a verdadeira sabedoria de Deus”, salientou o prelado ao pedir que sejamos, também, nós fiéis à perenidade do Evangelho, que não tenhamos complexos de anunciar com a palavra e com a vida, “pois ele é já para nós caminho de vida e porta aberta ao diálogo com todos”.

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